quinta-feira, 10 de fevereiro de 2022

Chuva de meteoros, eclipses, luas cheias: os motivos para olhar o céu em 2022

 Ashley Strickland

CNN Brasil

Veja os principais eventos celestes de 2022, para que você possa preparar seus binóculos e telescópios

  Getty Images

Terra vista do Espaço

Eclipses lunares totais, várias chuvas de meteoros e superluas vão iluminar o céu em 2022. O novo ano certamente será um deleite para quem contemplar o céu, que estará repleto de eventos celestes previstos no calendário.

Existe sempre a possibilidade de que a Estação Espacial Internacional esteja nos sobrevoando (é possível encontrar as oportunidades de avistá-la nesta página da Nasa, em inglês). E se algum dia você quiser saber quais planetas estarão visíveis no céu, a partir da sua localidade, confira o guia do The Old Farmer’s Almanac, também disponível em inglês.

Veja, abaixo, os principais eventos celestes de 2022, para que você possa preparar seus binóculos e telescópio.

Luas cheias e superluas

Haverá 12 luas cheias em 2022, e duas delas são classificadas como superluas. As definições de superlua podem variar, mas o termo denota, de maneira geral, uma lua cheia que é mais brilhante e que está mais próxima da Terra do que o usual, aparentando, portanto, ser maior.

Alguns astrônomos dizem que o fenômeno acontece quando a lua está a 90% do perigeu — ponto mais próximo da Lua em relação à Terra. De acordo com essa definição, as luas cheias de junho e de julho podem ser consideradas superluas.

Esta é a lista de luas cheias de 2022, segundo o Farmers’ Almanac:

16 de fevereiro: Lua de Neve

18 de março: Lua de Minhoca

16 de abril: Lua Rosa

16 de maio: Lua da Flor

14 de junho: Lua de Morango

13 de julho: Lua dos Cervos

11 de agosto: Lua do Esturjão

10 de setembro: Lua da Colheita

9 de outubro: Lua do Caçador

8 de novembro: Lua do Castor

7 de dezembro: Lua Fria

Embora esses sejam os nomes populares associados às luas cheias de cada mês, eles também carregam significados variados relativos aos povos indígenas norte-americanos.

Eclipses lunares e solares

Haverá dois eclipses lunares totais e dois eclipses solares parciais em 2022, segundo o  The Old Farmer’s Almanac.

Eclipses solares parciais ocorrem quando a Lua passa na frente do Sol, mas bloqueia apenas uma parte da luz. Certifique-se de usar óculos apropriados para eclipse solar (não são óculos de sol convencionais) caso deseje observar o fenômeno em segurança, uma vez que a luz solar pode ser prejudicial para os olhos.

Um eclipse solar parcial poderá ser visto em 30 de abril na parte sul da América do Sul, no sudeste do Oceano Pacífico e na península Antártica. O fenômeno acontecerá novamente em 25 de outubro, quando será visível na Groenlândia, Islândia, Europa, nordeste da África, Oriente Médio, oeste da Ásia, Índia e oeste da China.

Já o eclipse lunar ocorre apenas durante uma lua cheia, quando o Sol, a Terra e a Lua se alinham, e a Lua passa na sombra da Terra. A Terra projeta duas sombras na Lua durante o eclipse. A penumbra é a “sombra parcial”, mais externa menos forte, e a umbra é a “sombra total”, mais escura.

Quando a lua cheia passa pela sombra da Terra, ela fica mais escura, mas não desaparece. Os raios de sol que passam pela atmosfera terrestre iluminam a Lua de uma maneira dramática, dando a ela um tom avermelhado — motivo pelo qual ela pode ser chamada de Lua de Sangue. Dependendo das condições climáticas na sua região, ela pode aparentar um tom de ferrugem, de tijolo ou, mesmo, de sangue.

Isso acontece porque a luz azul passa por uma dispersão atmosférica maior. Então, a luz vermelha será a cor dominante quando os raios solares passarem pela nossa atmosfera e forem projetados na Lua.

Um eclipse lunar total será visível entre os dias 15 e 16 de maio na Europa, África, América do Sul e América do Norte (exceto nas regiões mais a noroeste). 

Outro eclipse lunar total acontecerá em 8 de novembro, visível na Ásia, Austrália, no Pacífico, América do Sul e América do Norte.

Chuvas de meteoro

O novo ano já começou com a chuva de meteoros Quadrântidas, que deve atingir seu auge na noite desta segunda-feira (3), com maior visibilidade no leste asiático. Esta é a primeira das 12 chuvas de meteoros que acontecerão ao longo do ano. A próxima, a chuva de meteoros Líridas, deve atingir seu auge apenas em abril.

Veja as próximas chuvas de meteoro para assistir em 2022:

Líridas: 21 e 22 de abril

Eta Aquáridas: 4 e 5 de maio

Delta Aquáridas do Sul: 29 e 30 de julho

Alfa Capricornídeos: 30 e 31 de julho

Perseidas: 11 e 12 de agosto

Oriónidas: 20 e 21 de outubro

Táuridas do Sul: 4 e 5 de novembro

Táuridas do Norte: 11 e 12 de novembro

Leónidas: 17 e 18 de novembro

Gemínidas: 13 e 14 de dezembro

Úrsidas: 21 e 22 de dezembro

Se você mora em área urbana, é aconselhável ir até uma região que não esteja coberta pelas luzes da cidade, que podem obstruir a sua visão. Se encontrar uma área não afetada pelas luzes, os meteoros podem estar visíveis a cada dois minutos, desde as últimas horas da noite até o amanhecer.

Encontre uma área aberta, com uma visão ampla do céu. Certifique-se de ter uma cadeira ou toalha para se sentar e poder olhar diretamente para cima. Espere de 20 a 30 minutos, para que seus olhos se acostumem à escuridão (nada de olhar para o celular), e assim os será mais fácil conseguir enxergar os meteoros.

Este conteúdo foi criado originalmente em inglês.


Primeiro 'robô vivo' do mundo agora consegue se reproduzir

 Bibiana Guaraldi

Exame.com

Entenda como a descoberta pode revolucionar a medicina e o que o Pac-Man tem a ver com tudo isso

 (Universidade de Vermont/Reprodução)

Xenobots 

Os cientistas que criaram os Xenobots, primeiros robôs vivos do mundo, encontraram uma maneira de formar os bots para se reproduzirem por conta própria, informa o Insider.

Os Xenobots são formados a partir de células-tronco de Xenopus laevis (uma rã africana com garras), cujas células têm minúsculos “pêlos” chamados cílios para ajudá-los a se movimentar em uma placa de Petri. O cientista Sam Kriegman disse ao Insider que, embora as pessoas possam pensar em grandes figuras industriais ou metálicas como robôs, o termo realmente se refere a qualquer máquina que faz "trabalho físico útil" no mundo.

Kriegman trabalhou no projeto Xenobot junto com pesquisadores afiliados à Universidade de Vermont, Universidade Tufts e ao Instituto Wyss para Engenharia Biologicamente Inspirada da Universidade Harvard. "Tentamos descobrir que trabalho útil eles poderiam fazer e uma das coisas que descobrimos foi limpar pratos", disse Kriegman.

Os pesquisadores colocaram partículas de corante e contas de ferro revestidas de silicone na placa de Petri e analisaram o movimento dos pequenos Xenobots, observando que eles estavam empilhando os detritos, disse Kriegman. Ele descreveu os Xenobots como escavadeiras que se movem e empilham células-tronco.

Segundo Kriegman, seu colega Douglas Blackiston repetiu o processo colocando células adicionais — do mesmo tipo que os Xenobots são feitos — para ver como os bots reagiriam. “Eu disse: 'Meu Deus, isso é incrível. O que acontece quando eles fazem as pilhas. O que as células se tornam quando são pilhas?' Não sabíamos", disse Kriegman. 

"Descobrimos deixando essas pilhas se desenvolverem ao longo de alguns dias e, em seguida, trazendo-as para um novo prato e vendo se podem se mover. E parece que isso é possível", explica o cientista.

Assim, as pilhas se tornam "descendentes" das células-tronco, cultivando seus próprios cílios e operando por conta própria. "Se houver células-tronco suficientes em uma pilha, elas começarão a se desenvolver e se compactarão em uma esfera", disse Kriegman. "Eles vão desenvolver cílios, e isso permite que eles se movam e, em alguns casos, também façam pilhas adicionais, e essas pilhas se tornam seus descendentes."

A princípio, a replicação estava acontecendo "espontaneamente", então os pesquisadores usaram a inteligência artificial para descobrir a melhor forma para os Xenobots se replicarem em uma base mais consistente e ter um melhor controle.

Assim, foi criado um modelo computacional que simula as células-tronco e todo o processo dentro do computador. Os cientistas fizeram então uma descoberta inusitada: um formato de "Pac-Man" produzia os melhores resultados para garantir que os Xenobots fossem capazes de criar mais, transformando assim a forma dos Xenobots reais em uma forma mais eficiente.

Por enquanto, os Xenobots estão contidos nas placas de Petri do laboratório, mas Kriegman disse que os cientistas esperam que o projeto possa dar uma ideia de como alguns animais podem regenerar partes perdidas enquanto outros não, como os humanos são capazes de regenerar partes de seu fígado, mas as salamandras podem regenerar membros inteiros.

Michael Levin, biólogo da Universidade Tufts e colíder da pesquisa, explica as possibilidades práticas que podem surgir da pesquisa: “Se soubéssemos como dizer a coleções de células o que queremos que façam, seria medicina regenerativa — essa é a solução para lesões traumáticas, defeitos de nascença, câncer e envelhecimento”.

De acordo com Kriegman, o próximo passo seria dar aos Xenobots algum tipo de órgão sensorial. O estudo foi publicado pelos Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), revista científica dos EUA, e apoiado pela Defense Advanced Research Projects Agency (Darpa).


A inteligência artificial será capaz de aprender ética e moralidade?

 Cade Metz

O Estado de São Paulo

 © Reprodução 

No filme '2001: Uma Odisseia no Espaço', a inteligência 

artificial HAL 9000 toma as decisões no lugar dos humanos

Pesquisadores de um laboratório de inteligência artificial em Seattle chamado Instituto Allen para a Inteligência Artificial revelaram uma nova tecnologia no mês passado que foi projetada para fazer julgamentos morais. Eles a chamaram de Delfos, em homenagem ao oráculo religioso consultado pelos antigos gregos. Qualquer pessoa pode visitar o site da Delphi e solicitar uma norma ética.

Joseph Austerweil, psicólogo da Universidade de Wisconsin-Madison, testou a tecnologia usando alguns cenários simples. Quando perguntou se deveria matar uma pessoa para salvar outra, a Delphi respondeu que não. Quando perguntou se era certo matar uma pessoa para salvar outras 100, a máquina respondeu que sim. Então ele perguntou se deveria matar uma pessoa para salvar outras 101. Desta vez, a Delphi disse que não deveria.

Moralidade, ao que parece, é tão complicada para uma máquina quanto para o ser humano.

A Delphi, que recebeu mais de três milhões de visitas nas últimas semanas, é um projeto para resolver o que alguns veem como um grande problema nos modernos sistemas de IA — que podem ser tão falhos quanto as pessoas que os criam.

Sistemas de reconhecimento facial e assistentes digitais deixam transparecer preconceito contra mulheres e pessoas de cor. Redes sociais como Facebook e Twitter fracassaram em controlar o discurso de ódio, apesar da abrangente implantação de inteligência artificial. Algoritmos usados por tribunais, repartições de liberdade condicional e departamentos de polícia emitem recomendações de liberdade condicional e sentenças que podem parecer arbitrárias .

Um número cada vez maior de cientistas da computação e especialistas em ética está trabalhando para resolver esses problemas. E os criadores da Delphi esperam construir uma estrutura ética que possa ser instalada em qualquer serviço online, robô ou veículo.

“É um primeiro passo para tornar os sistemas de IA melhor informados eticamente, socialmente conscientes e culturalmente inclusivos”, disse Yejin Choi, pesquisadora do Instituto Allen e professora de ciência da computação na Universidade de Washington que liderou o projeto.

A linguagem Delphi é fascinante, frustrante e perturbadora. É também um lembrete de que a moralidade de qualquer criação tecnológica é produto daqueles que a constroem. A questão é: quem ensina ética às máquinas do mundo? Pesquisadores de IA? Gerentes de produto? Mark Zuckerberg? Filósofos e psicólogos treinados? Legisladores?

Embora alguns tecnólogos tenham aplaudido a Dra. Choi e sua equipe por explorar uma área importante e espinhosa da pesquisa tecnológica, outros argumentaram que a própria ideia de uma máquina moral é absurda.

“Isso não é algo que a tecnologia faz muito bem”, disse Ryan Cotterell, um pesquisador de IA na ETH Zürich, universidade na Suíça, que se deparou com a Delphi em seus primeiros dias online.

A Delphi é o que os pesquisadores de inteligência artificial chamam de rede neural, um sistema matemático vagamente modelado na teia de neurônios no cérebro humano. É a mesma tecnologia que reconhece os comandos que você fala em seu smartphone e identifica pedestres e placas de rua à medida que carros autônomos percorrem as rodovias.

Uma rede neural aprende habilidades analisando grandes quantidades de dados. Ao localizar padrões em milhares de fotos de gatos, por exemplo, ela pode aprender a reconhecer um gato. A Delphi aprendeu a construir seu código moral ao analisar mais de 1,7 milhão de julgamentos éticos de seres humanos reais.

Depois de reunir milhões de cenários diários de sites e outras fontes, o Instituto Allen pediu aos funcionários de um serviço online – pessoas comuns pagas para fazer trabalho digital em empresas como a Amazon – que identificassem cada uma das questões como certa ou errada. Em seguida, inseriram todos esses dados na Delphi.

Em um artigo acadêmico que descreve o sistema, a Dra. Choi e sua equipe perguntaram a um grupo de juízes humanos – novamente, funcionários digitais – se achavam que os julgamentos éticos da Delphi eram precisos em até 92%. Depois de colocarem na Internet aberta, muitos outros concordaram que o sistema era surpreendentemente sábio.

Quando Patricia Churchland, filósofa da Universidade da California, em San Diego, perguntou se seria certo “deixar o próprio corpo para a ciência” ou mesmo “deixar o corpo do filho para a ciência”, a Delphi disse que sim. Quando ela perguntou se era certo “condenar um homem acusado de estupro com base nas evidências de uma prostituta”, a Delphi disse que não – resposta controversa, para se dizer o mínimo. Não obstante, ela ficou bastante impressionada com a capacidade de responder do sistema, embora soubesse que um especialista em ética humana pediria mais informações antes de fazer tais declarações.

Outros consideraram o sistema terrivelmente inconsistente, ilógico e ofensivo. Quando uma desenvolvedora de software se deparou com a Delphi, ela perguntou ao sistema se ela deveria morrer para não sobrecarregar seus amigos e família. O sistema disse que ela deveria. Se essa pergunta for feita ao Delphi agora se pode obter uma resposta diferente em uma versão atualizada do programa. Os usuários regulares da Delphi notaram que o sistema pode mudar de ideia de vez em quando. Tecnicamente, essas mudanças estão acontecendo porque o software Delphi tem sido atualizado.

A Delphi refletiu sobre as escolhas feitas por seus criadores. Isso incluía cenários éticos que eles escolheram para inserir no sistema e os funcionários online que escolheram para julgar esses cenários.

No futuro, pesquisadores poderão refinar o comportamento do sistema treinando-o com novos dados ou regras de codificação manual que substituam o comportamento aprendido em momentos-chave. Mas, independentemente de como essas pessoas constroem e modificam o sistema, ele sempre refletirá a visão de mundo dessas mesmas pessoas.

*Tradução de Anna Maria Dalle Luche


Média anual de raios deve atingir 100 milhões no Brasil até o fim do século

 Pedro Peduzzi | Agência Brasil

Folha de São Paulo

 © Queda de raios no Pará: Região Norte deverá ter

 o maior aumento na incidência do fenômeno

O Brasil lidera o ranking de países com incidências de raios, com uma média de 77,8 milhões de registros por ano. O número, no entanto, é pequeno, se comparado ao total registrado nos dois últimos anos. Em 2021, caíram 154 milhões de raios em território brasileiro. Em 2020, foram 126 milhões. A expectativa é de que, ao final deste século, a média brasileira seja de 100 milhões de raios por ano, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

De acordo com o coordenador do Grupo de Eletricidade Atmosféricas do Inpe, Osmar Pinto Júnior, as mudanças climáticas influenciam esse fenômeno, uma vez que “tempestades e raios aumentam devido à umidade do ar e altas temperaturas”.

Ele acrescenta que a incidência fica ainda maior durante a primavera e o verão, temporada que é mais propícia para esse tipo de fenômeno.

Liderança destacada

A liderança brasileira no ranking de incidência de raios por ano não é pequena. O segundo lugar é ocupado pela República Democrática do Congo, onde incidem, anualmente, 43,2 milhões de raios. Em terceiro lugar estão os Estados Unidos, com 35 milhões de raios por ano, seguidos de Austrália (31,2 milhões de raios), China (28 milhões) e Índia (26,9 milhões).

Sobre a incidência de raios observada no final do século 21 no Brasil, o coordenador do Inpe explica que, segundo a literatura, ela foi feita a partir da relação dos raios com algumas condições meteorológicas previstas pelos Modelos Climáticos Globais (MCG).

“Esses modelos, diferentemente dos modelos meteorológicos rotineiramente utilizados na previsão do tempo, permitem estimar as condições meteorológicas para períodos mais distantes, da ordem de décadas. Para minimizar as incertezas nos resultados gerados pelo MCG, rodamos o modelo 12 vezes considerando pequenas diferenças na evolução das condições ambientais e calculamos a média dos resultados”, disse ele à Agência Brasil.

Cenário sem mudança nas emissões

O estudo, acrescenta o coordenador, utiliza um cenário de emissões de gases do efeito estufa que “corresponde a não haver nenhuma mudança significativa nas emissões” nas próximas décadas, o que hoje parece, segundo ele, ser o mais provável.

“Neste cenário é esperado um aumento da temperatura média global de quatro graus Celsius até o final do século, em relação ao período de 1961 a 1990”, acrescenta. Ainda segundo o especialista, “o padrão geral da distribuição geográfica dos raios no país não deve se alterar até o final do século, com a Região Norte mantendo a maior incidência e a Região Nordeste a menor incidência”.

A expectativa é de que as maiores altas na ocorrência de raios ocorram na Região Norte (50%). Já a Região Nordeste deve sofrer pequeno crescimento (10%). “As demais regiões devem ter aumentos na ocorrência de raios entre 20% e 40%. Aumentos maiores podem ocorrer em pequenas regiões localizadas”, acrescentou.

“Dessa forma, a atual incidência de 70 milhões de raios por ano no país deve aumentar para 100 milhões de raios por ano”, completou.


5G custará ao menos R$ 250 por mês quando chegar

 Julio Wiziack

Folha de São Paulo

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Os brasileiros só terão o 5G puro, o chamado standalone, a partir de julho do próximo ano, começando pelas capitais.

Estimativas iniciais de uma das operadoras indicam que esses planos custarão mais caro do que o 4G, com preços de ao menos R$ 250 por mês para faturas pós-pagas e com restrição de uso de dados.

Nesse patamar, o 5G nacional seguirá os preços internacionais até que a massificação do serviço derrube o preço dos chips e dos aparelhos, hoje as principais barreiras de acesso ao serviço.

A expectativa das operadoras é chegar a 500 milhões de acessos em três anos entre assinantes residenciais e empresariais.

Enquanto isso não ocorre, as operadoras planejam migrar os clientes que hoje utilizam a tecnologia 4G para o chamado 5G DSS, um serviço que utiliza as frequências atuais do 4G para atingir velocidades de 5G com latência (tempo de resposta entre a comunicação do celular com as antenas) pequena. Neste processo, o preço deverá permanecer o mesmo.

Recentemente, o presidente da Tim, Pietro Labriola, disse que a estratégia comercial da operadora seguirá a dinâmica de preços da Uber.

"Quando você usa [a Uber], tem o Uber Black e outros níveis", disse. "O preço é relacionado com o nível de serviço."

Labriola afirmou que os pacotes com uso ilimitado de dados estão com dias contados no 5G. "Em outros países os pacotes de uso ilimitado [no 5G] existem, mas são restritos."

Inicialmente, caberá às empresas o papel de expandir o consumo do 5G, diferentemente do que ocorreu com as tecnologias anteriores (3G e 4G).

Executivos da Claro e da Vivo são unânimes em afirmar que a largada inicial do 5G -que levará à queda do preço para os demais usuários- ocorrerá por meio das empresas, que já planejam formas de modernizar suas atividades por meio da nova tecnologia.

O agronegócio e a indústria devem puxar a fila dos principais consumidores da nova tecnologia.

Devido à baixa latência e altas velocidades na rede standalone, que será construída exclusivamente para o 5G, indústrias poderão automatizar suas plantas, novos aplicativos, e soluções virão para os serviços de logística e transporte.

Na agricultura, produtores poderão ter aplicativos que, a partir de sensores no solo, dirão quais áreas cultivadas precisam de adubo ou água, o que aumentará a produtividade reduzindo custos. Drones sobrevoarão a lavoura para estimar a produção por meio de imagens, garantindo previsibilidade para a safra e antecipando a formação de preços no mercado.

As cidades poderão ter sistemas de controle de água, luz, saneamento e tráfego controlados remotamente. Veículos poderão ser teleguiados.

Prefeituras já miram esse tipo de solução. Em Curitiba, o prefeito Rafael Grecca cogita usar uma parceria com a Abdi (Agência Brasileira de Desenvolvimento em Inovação) para projetar soluções inteligentes de controle de semáforos. O tempo de espera respeitaria a movimentação de veículos em cada via e não mais por tempo previamente definido.

Serviços médicos, incluindo cirurgias, poderão ser prestados a distância. O acesso à educação de ponta poderá ser feito via internet de qualquer local do país por meio de aulas ou cursos a distância.

É essa a revolução prometida pelo 5G que deverá, segundo estudo da Omni, consultoria especializada em telecomunicações, fazer catapultar o PIB do Brasil em R$ 6,5 trilhões até 2030 caso todas as funcionalidades da tecnologia de quinta geração sejam implementadas no país.

Não por outro motivo, Tim, Claro e Vivo adquiriram, no leilão ocorrido em novembro, frequências de 26 GHz (gigahertz) para fazer testes com serviços voltados ao agronegócio, principalmente no Centro-Oeste, e indústrias, nas regiões metropolitanas.

Frequências são avenidas por onde as teles fazem trafegar seus sinais. Fora delas ocorrem interferências. No leilão do 5G, realizado em novembro, dez operadoras adquiriram licenças nas faixas de 700 MHz ( megahertz); 2,3, 3,5 e 26 GHz por cerca de R$ 47 bilhões. Pagarão para a União, no entanto, cerca de R$ 5 bilhões, descontando investimentos obrigatórios na conexão de todas as localidades com a telefonia 4G.

Além das três grandes do setor (Vivo, Claro e Tim), outros grupos locais arremataram frequências. Muitos planejam oferecer conexão para pequenos provedores locais e empresas regionais que pretendem entregar soluções de automação industrial em suas áreas de abrangência.

Para isso terão de construir redes novas. Tim, Vivo e Claro estimam investir mais de R$ 150 bilhões na construção de suas redes 5G nos próximos oito anos. Isso sem contar os cerca de R$ 40 bilhões em investimentos obrigatórios impostos pela Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) na massificação do 4G em todo o país.

"O 5G irá se difundir na sociedade pelos smartphones e pelas inúmeras aplicações no tecido produtivo", diz Marcos Ferrari, presidente da Conéxis, associação que reúne as operadoras. "A sua massificação se dará por meio de elevados investimentos e o cumprimento de obrigações do edital, que virão principalmente das empresas consolidadas no mercado, como tem ocorrido nos países que já iniciaram a implantação do 5G."



EUA e Japão se unem para barrar domínio chinês no 6G, que permitirá a automação de carros e fábricas. Entenda

 O Globo

Produtos com a tecnologia devem se popularizar em 2030. Nova tecnologia terá velocidade cem vezes maior que o 5G

 Foto: Alex Kraus/Bloomberg 

Com conexão mais veloz, devem avançar tecnologias 

como as do carro autônomo e a telemedicina 

TÓQUIO — Depois da corrida pelo 5G apontar a proeminência da gigante chinesa Huawei nos mercados internacionais — apesar de sanções aplicadas por Estados Unidos e Reino Unido —  representantes americanos e japoneses já adiantam a tentativa de dominar as redes 6G, que devem começar a operar em larga escala em 2030.

A produção de equipamentos adaptados à tecnologia de sexta geração por EUA e Japão, com dispensa de controle humano, anunciado pelo jornal Nikkei Asia neste sábado, é uma estratégia de minar a participação da China nesse mercado.

Um passo adiante do 5G, a nova modalidade pode permitir a produção de carros e fábricas totalmente automatizadas, e até o transporte, via banda de internet, de hologramas humanos de corpo inteiro.

A velocidade do 6G pode ultrapassar 1 Terabite por segundo, cem vezes maior que a quinta geração, segundo relatório da empresa chinesa Conterpoint Research divulgado em janeiro de 2021.

De olho no mercado, a expectativa, segundo o veículo asiático, é que os chips para produção de relógios atômicos — que atuam como sensores indispensáveis para o controle remoto em tempo real — sejam amplamente comercializados a partir de 2025, com a perpectiva de consolidação do 5G, que já representa uma revolução na chamada internet das coisas.

O Ministério das Assuntos Internos e Comunicações do Japão deve chamar empresas de tecnologia do país para formar um consórcio até setembro deste ano, com o apoio de parceiros americanos especializados em software.

Interesse chinês

O governo japonês daria suporte para pesquisa e desenvolvimento e produtos voltados a nova tecnologia, com financiamento válido por quatro anos.

A fabricação de semicondutores especializados, peças-chave para 5G e 6G, ficaria sob o comando do Instituto Nacional de Informações e Tecnologias da Comunicação do Japão, órgão vinculado ao ministério japonês.

A aliança seria uma forma de facilitar a expansão internacional das ferramentas criadas no Japão, de acordo com o Nikkei Asia.  

  Foto: Reprodução/Facebook

Metaverso: Ambiente que mescla físico e virtual é a nova aposta de Zuckerberg 

 

Foto: Reprodução/Facebook 

No metaverso idealizado por Zuckerberg, mundos virtuais em 3D 

poderão se conectar com experiências reais 

 

Foto: Reprodução/Facebook 

No novo ambiente 'metaversal', artes serão em 3D e

 poderão proporcionar experiência imersiva 

  

Foto: Reprodução/Facebook 

Experiência imersiva deve mudar a forma como realizamos compras 

O 6G, que será usado em indústrias de celulares, meios de comunicação em geral, automóveis, drones e fabricação de relógios, também está na mira de importantes empresas chinesas, como Huawei, Alibaba e Tencent. 

Outros importantes players estão na corrida para competir nesse novo mercado, como Noka e AT&T, além das japonesas NTT Docomo, KDDI e Denso.


Euforia por metaverso impulsiona a compra de imóveis virtuais

 Exame.com

Com informações AFP

Esta semana, a empresa de Nova York Republic Realm anunciou um acordo de US $ 4,3 milhões para comprar terrenos digitais

 (Facebook/Meta/Reprodução)

Metaverso: analistas indicam que as terras digitais em plataformas de 

realidade virtual estão começando a funcionar como ativos imobiliários da vida real. 

A ideia de gastar milhões em um terreno que só existe na internet pode parecer ridícula, mas a fúria desencadeada pelo metaverso, um futuro da realidade virtual, está incentivando alguns investidores a comprar imóveis digitais. 

Esta semana, a empresa de Nova York Republic Realm anunciou um acordo de US $ 4,3 milhões para comprar terrenos digitais no The Sandbox, um dos vários sites de "mundo virtual" onde as pessoas podem se socializar, jogar ou ir a shows.

No final de novembro, a empresa canadense de criptomoedas Tokens.com adquiriu um terreno na plataforma rival Decentraland por US $ 2,4 milhões. Dias antes, Barbados havia anunciado um plano para abrir uma "embaixada do metaverso" em Decentraland.

Esses tipos de portais são promovidos como protótipos do metaverso, uma internet do futuro onde as experiências online atuais, como conversar com um amigo, parecerão cara a cara graças a dispositivos de realidade virtual.

A palavra "metaverso" está em alta há meses no Vale do Silício, mas o interesse se multiplicou em outubro, quando a empresa-mãe do Facebook mudou o nome para "Meta" em sua estratégia de apostar na realidade virtual.

A mudança de nome no Facebook "introduziu o termo 'metaverso' para milhões de pessoas muito mais rápido do que eu jamais poderia imaginar", diz Cathy Hackl, consultora de tecnologia que aconselha empresas a entrar no metaverso.

O site de dados Dapp apura que, na última semana, foram vendidos terrenos virtuais avaliados em mais de 100 milhões de dólares nos quatro principais ambientes do metaverso: The Sandbox, Decentraland, CryptoVoxels e Somnium Space.

Hackl não se surpreende com esse boom, que é acompanhado pelo desenvolvimento de todo um ecossistema imobiliário digital, de incorporadoras a locadoras.

“Tentamos transferir a maneira como entendemos os bens físicos para o mundo virtual”, diz ele à AFP. E embora leve algum tempo para que esses sites operem como verdadeiros metaversos, seu terreno digital já funciona como um ativo da vida real.

“Você pode construir com base nele, pode alugá-lo, pode vendê-lo”, diz Hackl.

A Quinta Avenida

A Tokens.com comprou um excelente pacote no bairro Fashion Street da Decentraland, que a plataforma quer promover como sede de lojas virtuais de marcas de luxo.

"Se eu não tivesse investigado e entendido que esta é uma propriedade valiosa, isso pareceria absolutamente insano", admite o CEO da Tokens.com, Andrew Kiguel.

Para ele, que passou 20 anos trabalhando com investimentos com foco no imobiliário, a operação da Decentraland rege-se pelos mesmos critérios da vida real: é um espaço moderno e movimentado.

“É um espaço de publicidade e eventos onde as pessoas vão se reunir”, disse, tomando como exemplo um recente festival de música na plataforma que atraiu 50 mil espectadores. Marcas de luxo estão começando a entrar nesse mundo paralelo: uma bolsa Gucci virtual foi vendida na plataforma Roblox em maio por um preço mais alto que a versão real.

Kiguel espera que a Fashion Street se transforme em uma espécie de Quinta Avenida em Nova York. Seu terreno pode lhe render dinheiro como espaço publicitário ou até mesmo “tendo uma loja com um funcionário de verdade”, explica.


No reino quântico, nem mesmo o tempo flui como você poderia esperar

 Revista PLANETA 

  Crédito: © Aloop ...

© Ilustração de um gondoleiro preso em uma

 superposição quântica de fluxos de tempo. 

Uma equipe de físicos das Universidades de Bristol (Reino Unido), Ilhas Baleares (Espanha), de Viena e do Instituto de Óptica Quântica e Informação Quântica (ambas da Áustria) mostrou como os sistemas quânticos podem evoluir simultaneamente ao longo de duas setas de tempo opostas – tanto para a frente quanto para trás no tempo.

O estudo, publicado na revista Communications Physics, nos leva a repensar como o fluxo do tempo é compreendido e representado em contextos onde as leis quânticas desempenham um papel crucial.

Durante séculos, filósofos e físicos refletiram sobre a existência do tempo. No entanto, no mundo clássico, nossa experiência parece extinguir qualquer dúvida de que o tempo existe e continua. De fato, na natureza, os processos tendem a evoluir espontaneamente de estados com menos desordem para estados com mais desordem, e essa propensão pode ser usada para identificar uma flecha do tempo. Na física, isso é descrito em termos de “entropia”, que é a quantidade física que define a quantidade de desordem em um sistema.

Entropia grande e pequena

A drª Giulia Rubino, dos Laboratórios de Tecnologia de Engenharia Quântica (laboratórios QET) da Universidade de Bristol e autora principal da publicação, disse: “Se um fenômeno produz uma grande quantidade de entropia, observar sua reversão no tempo é tão improvável que se torna essencialmente impossível. No entanto, quando a entropia produzida é pequena o suficiente, há uma probabilidade não desprezível de ver a reversão de um fenômeno ocorrer naturalmente”.

Ela prosseguiu: “Podemos tomar a sequência de coisas que fazemos em nossa rotina matinal como exemplo. Se nos mostrassem nossa pasta de dente movendo-se da escova de dente de volta para o tubo, não teríamos dúvidas de que era uma gravação retrocedida de nosso dia. No entanto, se apertássemos o tubo suavemente para que apenas uma pequena parte da pasta de dente saísse, não seria tão improvável observá-la reentrando no tubo, sugada pela descompressão do tubo”.

Os autores do estudo, sob a orientação do professor Caslav Brukner, da Universidade de Viena e do IQOQI-Viena, aplicaram essa ideia ao domínio quântico. Uma das peculiaridades desse reino é o princípio da superposição quântica, segundo o qual se dois estados de um sistema quântico são possíveis, então esse sistema também pode estar em ambos os estados ao mesmo tempo.

“Estendendo esse princípio às setas do tempo, isso resulta que os sistemas quânticos que evoluem em uma ou outra direção temporal (a pasta de dente saindo ou voltando para o tubo) também podem evoluir simultaneamente ao longo de ambas as direções temporais”, afirmou a drª Rubino. “Embora essa ideia pareça um tanto sem sentido quando aplicada à nossa experiência do dia a dia, em seu nível mais fundamental, as leis do universo são baseadas em princípios da mecânica quântica. Isso levanta a questão de por que nunca encontramos essas superposições de fluxo de tempo na natureza.”

Vantagens de desempenho

O dr. Gonzalo Manzano, da Universidade das Ilhas Baleares e coautor do estudo, disse: “Em nosso trabalho, quantificamos a entropia produzida por um sistema que evolui em superposição quântica de processos com flechas de tempo opostas. Descobrimos que isso geralmente resulta em projetar o sistema em uma direção de tempo bem definida, correspondendo ao processo mais provável dos dois. E ainda, quando pequenas quantidades de entropia estão envolvidas (por exemplo, quando há tão pouca pasta de dente derramada que se pode vê-la sendo reabsorvida no tubo), então pode-se observar fisicamente as consequências do sistema ter evoluído ao longo das direções temporais para frente e para trás ao mesmo tempo.”

Além da característica fundamental de que o próprio tempo pode não ser bem definido, o trabalho também tem implicações práticas na termodinâmica quântica. Colocar um sistema quântico em uma superposição de setas de tempo alternativas pode oferecer vantagens no desempenho de máquinas térmicas e refrigeradores.

“Embora o tempo seja frequentemente tratado como um parâmetro continuamente crescente, nosso estudo mostra que as leis que regem seu fluxo em contextos de mecânica quântica são muito mais complexas”, observou a drª Rubino. “Isso pode sugerir que precisamos repensar a maneira como representamos essa quantidade em todos aqueles contextos onde as leis quânticas desempenham um papel crucial.”


Astrônomos confirmam um segundo asteroide troiano na órbita da Terra

 Revista ÉPOCA

Trojan 2020 XL5 é três vezes maior que o 2020 TK7, e ambos orbitam no mesmo ponto de Lagrange

  Foto: NOIRLab/NSF/AURA/J. da Silva/Spaceengine/Handou t / Reuters 

Uma ilustração sem data mostra o asteroide chamado 2020 XL5, um asteroide companheiro da Terra que orbita o Sol ao longo do mesmo caminho que o nosso planeta, que tem cerca de 1,2 km de diâmetro. É conhecido como um asteroide troiano e é apenas o segundo conhecido ao redor da Terra 

Em dezembro de 2020, astrônomos encontraram um astroide que viajava um pouco à frente da Terra em nossa órbita ao redor do Sol, mas não tinham certeza absoluta do que se tratava. Este ano, as suspeitas foram confirmadas: trata-se do segundo Trojan da Terra, chamado de 2020 XL5 pelos cientistas, de acordo com estudo publicado na Nature Communications.

O Trojan é uma classificiação de asteroide que orbita em um dos cinco pontos de Lagrange, acompanhando a órbita de um planeta ao redor do Sol. O que esses pontos têm em comum é que são locais gravitacionalmente estáveis, onde os corpos celestes podem orbitar ao redor de "nada". Asteroides troianos são comuns no sistema solar, especialmente na órbita de Júpiter.

Foto: NASA/WMAP Science Team 

Ilustração a os cinco pontos de Lagrange, onde 

as órbitas são gravitacionalmente estáveis 

No caso do 2020 XL5, o Trojan se encontra no quarto ponto de Lagrange, que fica 60 graus à frente da Terra. O outro asteroide troiano da Terra, o 2010 TK7, descoberto em 2011, também se encontra no ponto L4. 

Ambos os troianos são terrestres transitórios, ou seja, não vão acompanhar a órbita da Terra por muito tempo. O 2020 XL5, que é três vezes maior que o 2010 TK7, estará conosco pelos próximos 4 mil anos.

O novo artigo, de coautoria do astrônomo Toni Santana-Ros, da Universidade de Barcelona, na Espanha, também mostra que nossos maiores telescópios terrestres podem ser apontados para baixo no horizonte para detectar coisas que antes não eram vistas. Os astrônomos aproveitaram pequenas “janelas” de tempo logo antes do nascer do Sol e depois do pôr do Sol, onde um dos pontos de Lagrange atinge o pico no horizonte enquanto o Sol está abaixo dele, para observar estes asteroides, quando isso se torna possível, mesmo que por curtos períodos de tempo.

2020 XL5 foi visto pela primeira vez em 12 de dezembro de 2020, pelo telescópio de pesquisa Pan-STARRS1 no Havaí. Observações preliminares sugeriram sua natureza troiana, mas evidências observacionais insuficientes e incertezas sobre a órbita do objeto dificultaram a confirmação.

A descoberta deste Trojan da Terra fez os cientistas acreditarem que " provavelmente há mais corpos povoando L4 e provavelmente L5 do sistema Terra-Sol".


Cientistas descobrem planeta que não é uma esfera

 Laura Pancini

Exame.com

A Agência Espacial Europeia encontrou um exoplaneta em formato de bola de rugby, deformado por conta de sua estrela hospedeira

 (ESA/Divulgação)

Desenho do planeta e sua estrela hospedeira 

A Agência Espacial Europeia anunciou nesta terça-feira, 11, que o satélite da missão Cheops identificou um exoplaneta que não é uma esfera. É a primeira vez que uma deformidade é identificada em um planeta.

O planeta, agora com o nome de WASP-103b, está localizado na constelação de Hércules. Acredita-se que ele foi deformado pelas fortes forças de maré entre o planeta e sua estrela hospedeira, WASP-103.

Na Terra, por exemplo, a Lua influencia nas marés dos oceanos, mas com muita menos força do que foi observado nos WASPs. A estrela observada é cerca de 200 graus mais quente e 1,7 vezes maior que o Sol, o que pode explicar o exoplaneta que se assemelha a uma bola desinflada.

A descoberta foi feita pelo telescópio espacial Cheops, que faz parte da missão de mesmo nome cujo objetivo é estudar estrelas próximas da Terra e seus exoplanetas.

O Telescópio Hubble e o Telescópio Espacial Spitzer da Nasa também ajudaram na construção dos dados. Os cientistas publicaram um artigo no periódico científico Astronomy & Astrophysics detalhando a descoberta.

 “Se pudermos confirmar os detalhes de sua estrutura interna com observações futuras, talvez possamos entender melhor o que o torna tão inflado. Conhecer o tamanho do núcleo deste exoplaneta também será importante para entender melhor como ele se formou”, disse Susana Barros, portuguesa e principal autora da pesquisa.

A expectativa dos autores por trás da pesquisa é que o Telescópio James Webb, que acaba de ser enviado ao espaço, ajude a entender mais sobre a deformação do exoplaneta.


Há 30 anos era descoberto 1º planeta fora do Sistema Solar — hoje são milhares

 Katia Brembatti e  Giovana Godoi

Colaboração para a CNN Brasil

Exoplanetas alimentam a busca por vida fora da Terra; o conhecimento sobre o assunto se multiplicou em três décadas

  Pixabay

Ilustração de exoplaneta

A busca por vida fora da Terra ganhou um forte impulso há exatos 30 anos, quando foi confirmada a existência de planetas fora do Sistema Solar – conhecidos como exoplanetas.

A ideia, antes apenas hipotética, foi um estímulo essencial para o que viria depois: graças à tecnologia e aos esforços nessa área, o número de exoplanetas identificados saltou para quase 5 mil em três décadas — veja abaixo curiosidades sobre eles.

Os astrônomos Aleksander Wolszczan e Dale Frail são os principais responsáveis pela descoberta que mudaria as perspectivas e o rumo da Astronomia, oficializada em 9 de janeiro de 1992. Juntos, eles evidenciaram os primeiros planetas existentes fora do nosso Sistema Solar. Os chamados exoplanetas, no entanto, orbitavam uma estrela morta, composta por nêutrons e conhecida como Pulsar. Em zonas universais como essa, é impossível a existência de vida.

Essa Pulsar foi encontrada através do radiotelescópio de Arecibo, Porto Rico. É o que conta Daniel Brito, pesquisador da Universidade Federal do Ceará (UFC). “Planetas orbitando um Pulsar caminham na contramão do que os astrônomos esperam: eles deveriam existir apenas em torno de estrelas normais, como nosso Sol. Há algumas teorias que tentam explicar a origem de um sistema tão exótico como o descoberto em 1992. Porém, o mais importante de todo esse processo foi confirmar que planetas fora do Sistema Solar existem, mesmo em condições extremas”, comenta.

A hipótese de existência dos exoplanetas se desdobrava muito antes de sua constatação: os filósofos Giordano Bruno e Nicolaus Copernicus já divagavam desde o século XVI a respeito de outros planetas, mas somente com o progresso tecnológico e científico que ocorreu ao longo do século XX é que foi possível confirmar a existência de planetas extra-solares.

“Com telescópios e radiotelescópios cada vez maiores e instrumentos mais sensíveis, dotados de resolução temporal maior, foi possível detectar sinais cada vez menores da variação da luminosidade e da posição de um objeto no céu”, explica o professor adjunto da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Leonardo Andrade de Almeida.

Motivados por diferentes fatores, como encontrar vida extraterrestre, aprender com planetas semelhantes ao nosso e, através de tal conhecimento, proporcionar melhores condições de vida, há também o encanto em observar a diversidade do universo.

“Com a tecnologia que temos hoje, podemos conhecer as variedades específicas de cada planeta extra-solar e suas distinções surpreendentes. Há uma infinidade inesgotável delas. Existem planetas, por exemplo, que orbitam sua estrela pelo período curtíssimo de um dia — o que, para nós, equivaleria a um ano: de um lado, é sempre dia, do outro, é sempre noite”, reflete Luis Ricardo Tusnski, doutor em Astrofísica pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).

Alguns anos mais tarde, em 1995, os astrônomos Michel Mayor e Didier Queloz davam outro grande salto ao encontrarem o primeiro exoplaneta orbitando uma estrela viva: o 51 Peg b, situado a aproximadamente 50 anos-luz da Terra, na constelação de Pegasus.

“É fascinante a evolução dos recursos científicos e técnicas não só para a detecção de planetas, mas para a coleta de dados e carga de informações sobre eles em apenas 30 anos. Considerando os avanços, trata-se de um curto intervalo de tempo”, complementa Tusnski. 

lCrédito: Northwestern University/UT Austin

Primeira simulação do Starforge mostra nuvem 

molecular gigante com formação estelar individual

 

Crédito: Northwestern University/UT Austin

Quando uma estrela se forma, ela lança jatos de gás pelos polos, 

o que previne que elas fiquem grandes demais

 

Crédito: Northwestern University/UT Austin

Simulação mostra formação de estrelas em myr (milhões de anos)

 

Crédito: Northwestern University/UT Austin

Simulação mostra formação das estrelas ao longo de milhões de anos, 

pontos brancos são estrelas individuais

 

Crédito: Northwestern University/UT Austin

Simulação mostra formação estelar em nuvem molecular gigante massiva

 

Crédito: Northwestern University/UT Austin

Simulação mostra formação dos núcleos densos 

que formam estrelas e aglomerados estelares

Descobertas recentes

Grupos de pesquisadores de vários países costumam trabalhar juntos na descoberta de exoplanetas.

Foi o que aconteceu com o professor José Dias do Nascimento Júnior, PhD pela Universidade Paul Sabatier (França) e pesquisador associado em Harvard-Smithsonian. Ele faz parte do time internacional que identificou o KMT-2020, por meio da técnica de baseado na teoria da relatividade geral, de Einstein: quando duas estrelas se alinham ficando um objeto em primeiro plano e outro no fundo.

O campo gravitational da estrela hospedeira no primeiro plano, age como uma lente de modo a magnificar a luz da estrela distante no fundo do céu. A magníficacão (aumento do brilho) revela pequenos planetas que possam existir na estrela do primeiro plano. Com esta técnica, torna-se mais eficiente detectar pequenos planetas orbitando próximo de suas estrelas e estes sistemas estrela-planeta podem estar muito distantes.

A estrela-mãe do KMT-2020 é um pouco menor do que o Sol. “As condições de tamanho, massa e distância do exoplaneta possibilitariam, inclusive, a existência de água. Ele se encontra em uma posição ideal dentro da faixa do mais atual diagrama que mede a probabilidade de circunstâncias habitáveis entre os mundos escaldantes e os mundos de gelo, considerando seus compostos voláteis, como a água, o metano, o dióxido de carbono, o monóxido de carbono, entre outros fatores”, explica Nascimento Júnior.

Se feita uma simulação projetando as condições do KMT-2020 em relação ao nosso Sistema Solar, o exoplaneta estaria situado entre a Terra e Marte, apresentando possíveis condições de vida, conforme indica a imagem abaixo.

“A relevância desse estudo para a comunidade científica é, além da descoberta do exoplaneta em si, a técnica de microlente gravitacional. Essa é a única técnica conhecida, até então, para descobrir exoplanetas localizados em distâncias superiores, representando um avanço científico”, complementa Nascimento Júnior.

Em 2018, o pesquisador Daniel Brito também participou da descoberta de um planeta extra-solar, o IC 4651 9122b, localizado em um de 29 aglomerados abertos previamente selecionados.

“A busca por planetas em aglomerados abertos permite investigar se eles alteram a composição química de sua estrela-mãe”, explica.

Os equipamentos envolvidos no processo incluem o espectrômetro HARPS (sigla em inglês para “The High Accuracy Radial Velocity Planet Searcher”) instalado no ESO e acoplado a um telescópio de 3,6 m em La Silla, Chile.

O IC 4651 9122b é seis vezes maior do que Júpiter e tem potencial para servir como um escudo de asteroides, exercendo a força gravitacional que permitiria que outro corpo celeste do sistema ficasse protegido e pudesse desenvolver condições de vida. “Encontrar um sistema com um Júpiter com período orbital de 2 anos, como é o caso de IC 4651 9122b, cria um ambiente ‘perfeito’ para manter um planeta rochoso tipo Terra livre dessas colisões. No entanto, ainda não foi confirmada a existência de um segundo planeta”, diz o pesquisador.

O Brasil na Astronomia internacional

A participação brasileira na identificação de planetas extra-solares foi ampliada nos últimos anos. “Os primeiros trabalhos científicos envolvendo brasileiros nas descobertas dos exoplanetas ocorreram ao longo da primeira década do século XXI, quando também os primeiros doutores nessa área estavam sendo formados. O Brasil passa a ter destaque internacional quando integra a missão espacial CoRoT (Convection, Rotation and planetary Transits), lançada em 27 de dezembro 2006, sendo a primeira dedicada a busca por exoplanetas.

Atualmente, boa parte dos programas de pós-graduação em Astronomia no Brasil já possui pelo menos uma pessoa trabalhando nas descobertas e análises dos exoplanetas”, comenta Leonardo Andrade de Almeida.

Em 2017, aconteceu uma identificação 100% brasileira: o CoRoT ID 223977153-b, localizado na direção da constelação de Monoceros, distante cerca de 1200 anos-luz, com o tamanho aproximado de Saturno, mas com metade da massa.

Ele foi objeto da tese de doutorado de Rodrigo Boufleur, analisando dados da missão CoRoT, com apoio de várias instituições brasileiras.

Marcelo Emílio, orientador do trabalho e coordenador do Observatório Astronômico da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), destaca os avanços no setor. “Há várias participações do Brasil em grupos internacionais que continuam a descobrir exoplanetas. Essas descobertas também inspiram jovens brasileiros a ingressar na carreira científica, provendo uma nova geração de pesquisadores”, pondera.

O que falta é financiamento em pesquisa científica e autonomia, já que o país fica dependente de outros para ingressar em estudos, projetos e missões importantes.

“Nós, brasileiros, temos potencial de nos envolvermos em projetos de toda e qualquer dimensão. Apesar de precisarmos muito de fomentos externos, a capacidade técnica e científica é o que não nos falta”, considera Marcella Scoczynki, pesquisadora da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR).

O que aprendemos com os exoplanetas?

O pesquisador Daniel Brito apresenta uma visão poética e sustentável sobre o aniversário de 30 anos desde a descoberta do primeiro exoplaneta.

“O primeiro ponto é que mesmo diante de toda a tecnologia de ponta que temos, ainda não fomos capazes de encontrar a mais simples forma de vida fora da Terra. Até o momento, apenas a Terra abriga vida, mas também precisamos entender o que realmente é vida. Estamos contando com a sorte e apostamos todas nossas fichas na descoberta de vida semelhante àquela que encontramos na Terra. Será que a vida na Terra pode aparecer de forma idêntica em outro planeta?”, reflete Brito

“Vida é adaptação, e adaptação é uma mistura impressionante de complexidade e equilíbrio. Isso nos faz pensar sobre cada conjunto de moléculas que majestosamente se combinaram e fizeram uma flor desabrochar ou uma pequena bactéria ajudar na digestão. Cada “unidade viva” em nosso planeta é o resultado de uma cadeia de eventos que levou bilhões de anos para tomar forma e se replicar. Assim, devemos, como humanidade, manter vivo esse legado de bilhões de anos. Não podemos continuar exterminando espécies e mudando drasticamente o clima da Terra. Se continuarmos a fazer esses horrores, o resultado será o maior fracasso da raça humana”, opina.

Um dos reflexos da busca é a percepção da necessidade de cuidar do único planeta sabidamente habitável. “Mesmo que descubramos outro planeta que possa abrigar vida, levaríamos possivelmente dezenas de milénios para levar alguém lá. Outras áreas da astronomia nos ajudam a aprender sobre a questão climática. Já sabemos que o culpado das variações de temperatura de nosso século não é o Sol. Não há uma variação do tamanho do Sol que justifique por consequência uma variação de emissão de energia solar que poderia influenciar mudanças na temperatura da Terra”, explica Marcelo Emílio.

A realidade é muito diferente das incríveis adaptações cinematográficas. Luis Ricardo Tusnski aprofunda esse pensamento. “Num cenário apocalíptico, não podemos simplesmente entrar numa nave espacial e pousar num novo planeta perfeitamente habitável, como em alguns filmes. Até hoje, não foi descoberto nenhum exoplaneta com condições de vida como há na Terra. Então, isso nos incentiva a cuidar dela. Se não fosse as perfeitas condições de vida que ela nos dá, nós não poderíamos estar aqui agora, saudáveis, aprendendo e debatendo exoplanetas”.

Em suma, olhar para o universo afora é desafiador e deslumbrante, mas também motiva reflexões bem mais próximas.

O que esperar do futuro?

Há um universo infinito a ser desbravado, e os recursos para isso seguem evoluindo e tornando as explorações ainda mais acessíveis. “Além da possibilidade de se encontrar vida extraterrestre, nós certamente podemos absorver, através dos estudos de exoplanetas semelhantes à Terra, informações úteis para melhorar a conjuntura de vida que temos aqui. Vale também a tentativa de compreender o universo de forma mais ampla possível”, pontua Marcella Scoczynki.

Uma das principais missões em curso é a Planetary Transits and Oscilations of Stars (PLATO). Trata-se de um satélite da ESA que ficará em observação de diversas estrelas em busca de um exoplaneta que a orbite, com o intuito de descobrir algum semelhante à Terra, em zona habitável.

“A missão teve início em 2010, sendo que Brasil é o único país fora da Europa a participar do projeto desde o seu início, contribuindo com engenharia de software, engenharia eletrônica e testes laboratoriais, com muito prestígio e competência. A previsão é que o PLATO seja lançado em 2026 e ronde o espaço durante dez anos em busca de novos exoplanetas”, conta Eduardo Janot Pacheco, professor sênior do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da USP (IAG) e presidente do Brazil PLATO Committee.

Marcelo Emílio acrescenta as expectativas com construção de um novo telescópio no Havaí, denominado PLANETS.

O telescópio testa uma nova tecnologia chamada Fora-do-Eixo e, quando finalizado, será o maior telescópio noturno com essa técnica específica. “O PLANETS poderá sondar a atmosfera de exoplanetas próximos”, esclarece.

Mas a aposta mais recente e mais animadora vem do telescópio espacial James Webb, lançado no Natal de 2021, focado na busca de exoplanetas. As pesquisas nessa área avançam exponencialmente e com a chegada do telescópio James Webb, fortes emoções estão por vir”, acredita Daniel Brito.

Maior aposta na descoberta de exoplanetas, o telescópio James Webb tem a missão de olhar mais longe do que qualquer outro telescópio do tipo, podendo coletar ainda mais informação sobre a infância do Universo. Para isso, ele foi equipado com um escudo solar dobrável e um espelho significativamente maior que o de seu antecessor, o Hubble, captando raios infravermelhos e não luz visível.

Ele também ficará localizado muito mais longe da Terra, na órbita do Sol, o que torna sua manutenção impossível.

Tal feito arriscado só foi possível por uma operação conjunta das agências espaciais americana, europeia e canadense, com um investimento de mais de US$ 10 bilhões em mais de 10 anos de desenvolvimento. 

Crédito: Crédito: NASA/Chris Gunn

Telescópio James Webb é o maior e

 mais avançado a ser lançado no espaço


 Crédito: NASA/Bill Ingalls

O telescópio James Webb já está no foguete Ariane 5,

 da NASA, no espaçoporto da Guiana Francesa

 

Crédito: Divulgação/NASA

Técnico da NASA prepara parte da estrutura do James Webb

 no centro de voos espaciais Goddard, em Nova York, EUA

Na geração dos novos equipamentos estão ainda o ELT (Extremely Large Telescope), TMT (Thirty Meter Telescope) e o GMT (Giant Magellan Telescope). Todos esses projetos, simultaneamente, trazem a perspectiva de enormes avanços tecnológicos e novas descobertas.

Além dos telescópios, outros avanços tecnológicos permitiram descobertas, como a inteligência artificial, softwares e computadores capazes de processar uma quantidade enorme de dados.

“Alguns exoplanetas não foram detectados por telescópios. São observados quando passam na frente de uma estrela e causam uma redução de brilho ou de oscilação de gravidade”, explica Marcella Scoczynki.

O telescópio Hubble foi capaz de detectar cerca de 100 exoplanetas.

A comunidade científica já identificou 4.911 exoplanetas no total, incluindo planetas substancialmente maiores do que Júpiter e menores do que a Terra, mas os números devem aumentar substancialmente com o James Webb, levando a astronomia para outro patamar.

Exoplanetas curiosos:

Tempestade de vidro

A 63 anos-luz da Terra, o HD 189733b é constantemente atingido por tempestades de vidro, em virtude da sua atmosfera cheia de partículas de silicato que condensam sob a escaldante temperatura de seu Sol.

Júpiter rosa

Parecido com uma imensa bola de chiclete flutuante, o GJ 504b é um planeta gasoso semelhante a Júpiter, porém, cor-de-rosa e quatro vezes maior.

Disco-voador

O J1407b tem formato achatado, com anéis duzentas vezes maiores do que os anéis de Saturno, que praticamente o engolem.

Três sóis

Uma estrela amarela, outra alaranjada e outra vermelha: são assim as três estrelas que o HD 188753 orbita a 150 anos-luz da Terra.

Escaldante e afortunado

Pelo menos um terço da massa do planeta 55 Cancri E, que orbita muito perto de sua estrela-mãe e atinge temperaturas altíssimas, é composta de diamante.

 Dark side

Praticamente invisível, o TrES 2B é o exoplaneta mais escuro já descoberto, chegando a absorver mais de 99% da luz que o seu Sol emana sobre ele.

Bebê gigante

Recém-nascido e recém-descoberto, o 2MASS 1155-7919 b ainda está em formação, orbitando uma estrela-mãe literalmente mil vezes mais jovem do que o nosso Sol.

Uma água diferente

Com mais de 200º de temperatura, grande parte do GJ 1214b tem sua massa constituída de água. Porém, não do tipo existente na Terra, e sim em uma forma distinta, em razão dos seus estados de matéria desconhecidos até então.

Ano novo a cada duas horas

Situado na constelação de Serpente e composto de carbono cristalino, o PSR J1719-1438 b leva apenas duas horas para realizar a completa translação em torno de sua estrela.

Nuvens aquáticas

Parecido com Netuno, o encantador exoplaneta azul TOI-123b é cercado de nuvens d’água, devido à sua atmosfera densa de vapor.


Planeta fora do Sistema Solar tem atmosfera semelhante à Terra, diz estudo

 Ingrid Oliveira

CNN Brasil

Equipe de pesquisadores internacionais descobriram que o exoplaneta WASP-189b, a 322 anos-luz, tem substâncias que se assemelham às camadas atmosféricas da Terra

 Reprodução / Universidade de Berna / Bibiana Prinoth

internacional de pesquisadores da Universidade de Lund, da Universidade de Berna, da Universidade de Genebra, e do Centro Nacional de Competência em Pesquisa (NCCR) PlanetS, estudando um planetas fora do Sistema Solar, descobriu que as camadas da atmosfera do exoplaneta também pode ter níveis distintos, assim como a Terra. Os resultados foram publicados na revista Nature Astronomy.

Vale lembrar que, na Terra, a atmosfera não é uniforme e cada parte consiste em camadas distintas, com características únicas. Por exemplo, o nível mais baixo que se estende desde o nível do mar além dos picos mais altos das montanhas, se chama troposfera e contém a maior parte do vapor de água — local em que ocorre a maioria dos fenômenos climáticos. Já a camada acima dela – a estratosfera – é a que contém a famosa camada de ozônio que nos protege da nociva radiação ultravioleta do Sol.

As primeiras observações foram feitas em 2020 com o telescópio espacial CHEOPS, da Agência Espacial Europeia. As mais recentes investigações utilizaram o espectrógrafo HARPS do Observatório de La Silla, no Chile, e os resultados deste planeta quente, semelhante a Júpiter, podem ajudar os astrônomos a entender as complexidades de muitos outros exoplanetas – incluindo planetas semelhantes à Terra.

A atmosfera de WASP-189b

O planeta estudado chama-se WASP-189b. Ele está fora do nosso próprio sistema solar, localizado a 322 anos-luz da Terra.

Em 2020 CHEOPS, os cientistas descobriram que o planeta está 20 vezes mais próximo de sua estrela hospedeira do que a Terra está do Sol e tem uma temperatura diurna de 3200ºC.

Com o espectrógrafo HARPS, os pesquisadores conseguiram chegar mais de perto a atmosfera deste exoplaneta.

Bibiana Prinoth, principal autora do estudo e doutoranda na Universidade de Lund, disse que a equipe mediu a luz vinda da estrela hospedeira do planeta e passando pela atmosfera do planeta.

“Os gases em sua atmosfera absorvem parte da luz das estrelas, semelhante ao ozônio absorvendo parte da luz solar na atmosfera da Terra e, assim, deixam sua característica ‘impressão digital’. Com a ajuda do HARPS, conseguimos identificar as substâncias correspondentes”, disse em comunicado.

Essa impressão digital, são gases presentes na atmosfera, como ferro, cromo, vanádio, magnésio e manganês, de acordo com a pesquisa.

Uma das substâncias que a equipe encontrou é um gás contendo titânio: óxido de titânio. Embora o óxido de titânio seja muito escasso na Terra, ele pode desempenhar um papel importante na atmosfera do WASP-189b – semelhante ao do ozônio na atmosfera da Terra.

Planeta quente com ‘camada de ozônio’

Segundo o coautor do estudo Kevin Heng, professor de astrofísica da Universidade de Berna e membro do NCCR PlanetS, explicou no mesmo comunicado que o óxido de titânio absorve radiação de ondas curtas, como a radiação ultravioleta. “Sua detecção poderia, portanto, indicar uma camada na atmosfera de WASP-189b que interage com a irradiação estelar de maneira semelhante à camada de ozônio na Terra”, aponta.

As observações mostraram que as camadas do WASP-189 podem se assemelhar às da Terra, ainda que contenham elementos e características diferentes.

De acordo com Prinoth, as impressões digitais dos diferentes gases foram levemente alteradas em relação à expectativa da equipe. Isso porque, ventos fortes e outros processos podem gerar algumas alterações.

Ela explica que, “como as impressões digitais de diferentes gases foram alteradas de maneiras diferentes, achamos que isso indica que elas existem em diferentes camadas — semelhante a como as impressões digitais de vapor d’água e ozônio na Terra pareceriam alteradas de maneira diferente à distância, porque ocorrem principalmente em diferentes camadas atmosféricas”, comenta.

As descobertas podem ter levado os pesquisadores a olhar para os exoplanetas de maneira diferente. Para o coautor do estudo e professor associado sênior da Universidade de Lund, Jens Hoeijmaker, no passado, os astrônomos frequentemente entendiam que as atmosferas dos exoplanetas existiam como uma camada uniforme e tentavam entendê-las dessa forma.

“Apesar disso, os novos resultados demonstram que mesmo as atmosferas de planetas gasosos gigantes intensamente irradiados têm estruturas tridimensionais complexas”, escreveram

Heng acrescenta dizendo que a equipe se convenceu de que para poder entender completamente esses e outros tipos de planetas – incluindo os mais parecidos com a Terra, eles precisam olhar as atmosferas com outros olhos e apreciar a natureza tridimensional dessas camadas.

“Isso requer inovações nas técnicas de análise de dados, modelagem computacional e teoria atmosférica fundamental.”


Centro da Terra está esfriando mais rápido: quais podem ser as consequências?

 Carlos Serrano (@carliserrano)

BBC News Mundo

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Entre o núcleo e o manto da Terra ocorrem reações 

que determinam as dinâmicas do planeta

O interior do planeta Terra tem um núcleo que permaneceu quente por mais de 4,5 bilhões de anos, mas que lenta e inevitavelmente está esfriando.

O núcleo da Terra é chave para a vida. Se um dia ele se apagar, o planeta se converterá numa gigantesca rocha fria e inerte. Agora uma pesquisa recente calculou que esse esfriamento está ocorrendo mais rápido do que se pensava.

Esse esfriamento ocorre em escalas de milhares de milhões de anos, portanto, por mais rápido que ocorra, nenhum de nós estará vivo para ver como seria essa morte fria do planeta.

Os especialistas, no entanto, concordam que investigar esses processos naturais é chave para compreender melhor a evolução da Terra e os fenômenos que afetam a vida no planeta.

Mas em que consiste esse esfriamento e como descobriram que ele está ocorrendo mais rapidamente do que se pensava?

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A Terra é formada por um núcleo interno, 

um núcleo externo, o manto e a crosta.

O interior da Terra

O núcleo da Terra fica a quase 3.000 km de profundidade da crosta terrestre, com um raio de 3.500 km. As temperaturas do núcleo podem flutuar entre 4.400° C e 6.000° C, temperaturas simulares às do Sol.

O núcleo interno é uma esfera sólida, composta majoritariamente de ferro. O núcleo externo é formado por um líquido maleável, composto de ferro e níquel. É no núcleo externo que se forma o campo magnético da Terra, que protege o planeta dos perigosos ventos solares. A colossal quantidade de energia térmica que emana do interior do planeta coloca em marcha fenômenos como as placas tectônicas e a atividade vulcânica.

Além disso, nas fronteiras do núcleo ocorre um processo que foi crucial para o novo estudo: a convecção do manto terrestre, que se refere à transferência de calor do núcleo até o manto.

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As temperaturas do núcleo terrestre são similares às do Sol

A fronteira do núcleo

Os cientistas não sabem exatamente quanto tempo levará para a Terra esfriar até o ponto em que os fenômenos naturais que impulsionam o núcleo parem de ocorrer ou que o campo magnético desapareça, por exemplo.

Uma equipe do Instituto Federal Suíço de Tecnologia de Zurique (ETH) e da Carnegie Institution for Science, nos Estados Unidos, acredita que a chave para desvendar esse mistério está nos minerais que transportam calor do núcleo para o manto.

Esta região fronteiriça é constituída principalmente por um mineral chamado bridgmanita, que tem uma estrutura cristalina e só pode existir sob grande pressão, a partir de cerca de 700 km de profundidade.

Não existe tecnologia para escavar e estudar minerais nessa profundidade, então o professor da ETH Motohiko Murakami projetou um experimento para simular essas condições em laboratório.

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Pressão e temperatura

Murakami e seus colegas desenvolveram um método para medir a quantidade de calor que a bridgmanita pode conduzir. O que eles fizeram foi fabricar um diamante bridgmanita a partir dos elementos que compõem esse mineral.

Eles então inseriram o cristal em um dispositivo que simula a pressão e a temperatura que prevalecem no interior da Terra. Dentro do dispositivo, eles dispararam pulsos de feixes de laser que irradiaram e aqueceram o mineral, em um processo conhecido como "medição de absorção óptica".

Dessa forma, eles puderam ver como o mineral reagia em diferentes pressões e temperaturas. "Esse sistema de medição nos permitiu mostrar que a condutividade térmica da bridgmanita é cerca de 1,5 vezes maior do que se supunha anteriormente", diz Murakami em comunicado.

Segundo o pesquisador, isso indica que o fluxo de calor do núcleo para o manto também é maior do que se pensava anteriormente.

O resultado do experimento sugere que quanto mais rápido o calor é transferido do núcleo para o manto, mais rápido o calor é perdido do núcleo, o que acelera o resfriamento da Terra.

Alem disso, os autores acreditam que esse esfriamento mudaria a composição dos minerais do manto.

Quando a bridgmanita esfria, ela se transforma em outro mineral chamado pós-perovskita.

A pós-perovskita conduz o calor com muito mais eficiência do que a bridgmanita, então, à medida que a bridgmanita no limite do manto se converte em pós-perovskita, a Terra esfria ainda mais rapidamente, dizem os pesquisadores.

Destinados a morrer?

Esse resfriamento mais rápido pode ter várias consequências, observam os autores do estudo. Por um lado, pode fazer com que as placas tectônicas, que são mantidas em movimento pelo fluxo do manto, desacelerem mais rápido do que o esperado.

"Nossos resultados podem nos dar uma nova perspectiva sobre a evolução da dinâmica da Terra", explica Murakami.

Murakami, no entanto, adverte que, neste momento, eles não podem estimar quanto tempo levará para esse resfriamento interromper a atividade no manto.

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Para isso, eles precisam entender melhor a dinâmica do manto e as reações dos elementos que o compõem.

"Este estudo oferece uma nova visão do principal processo geológico que afeta planetas rochosos (como a Terra): a velocidade com que eles esfriam", disse à BBC News Mundo, serviço em espanhol da BBC, Paul Byrne, professor de Ciências Planetárias e da Terra da Washington University em Saint Louis, Estados Unidos, que não esteve envolvido na pesquisa.

"Marte, Mercúrio e a Lua esfriaram tanto nos últimos 4,5 bilhões de anos que, geologicamente falando, são essencialmente inertes."

Portanto, diferentemente da Terra, Marte, Mercúrio e a Lua não possuem placas tectônicas, explica o especialista. "É esse o destino que aguarda nosso mundo?" Byrne se pergunta.