Luiz HenriqueOliveira
BolaVip
Buscando entender a base neural da solidão, que já era percebido antes do confinamento durante a pandemia de Covid-19 resultado da cultura tecnológica e das redes sociais, acentuando-se ainda mais com o isolamento social, uma pesquisa liderada por Kansai Fukumitsu da RIKEN Center for Brain Science (CBS) no Japão, encontrou um indicador molecular e regulador do isolamento social em camundongos fêmeas.
Para entender melhor o estudo e como ele poderia interferir nos humanos, após encontrarmos similaridades com os conceitos de memória primitiva, burla de código genético e processo evolutivo do PhD em neurociências, biólogo, antropólogo e membro da Society for Neuroscience nos Estados Unidos, o luso-brasileiro Dr. Fabiano de Abreu Agrela, a relação deste estudo e como ele pode auxiliar neste que, segundo ele, a solidão, é um problema que precisa de atenção: "está determinado em nosso código genético a necessidade de interação, quando burlamos esta determinação, sofremos consequências que podem elevar a ansiedade e trazer danos para a saúde mental." inicia o cientista.
Dr. Fabiano de Abreu
O novo estudo revelou que o comportamento de busca de contato social em camundongos é impulsionado pelo peptídeo amilina na área pré-óptica medial (MPOA) do prosencéfalo, e que estar sozinho diminui a quantidade de amilina nessa região do cérebro. " A amilina é um hormônio amiloidogênico sintetizado e co-secretado com insulina pelas células β pancreáticas, possui "locais" de ligação no cérebro, regulando a saciedade e o esvaziamento gástrico."
Amilina é protagonista
A sinalização do receptor de amilina-calcitonina (Calcr) na área pré-óptica medial (MPOA) medeia contatos sociais afiliativos entre camundongos fêmeas adultas. Com o seu isolamento, a primeira reação foi a busca pelos contatos, depois comportamentos depressivos, ansiedade, em paralelo a perda da expressão do mRNA da amilina no MPOA. Isso quer dizer que a socialização física ativa os neurônios que expressam amilina e Calcr e leva a uma recuperação da expressão do mRNA da amilina.
"Isso é semântico a parentalidade, observada em mamíferos como camundongos e humanos. Onde os cientistas desde Darwin já vinculavam essa afiliação social como evolutivo do cuidado parental. Os resultados do estudo determinam que a amilina é o protagonista no cérebro necessário para detectar e buscar contatos sociais" finaliza Dr. Fabiano de Abreu

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